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7 questões simples, antes de criar um site

1. Uma página na internet é um quadro na sala?

Se você tem uma página na internet feita com construtores de páginas, gratuita, com aparência ruim e poucos visitantes, uma página mais bonita é o primeiro degrau para atrair clientes, mas não é o suficiente. Se você não tem uma página, a mesma coisa.
A página é como um cartão de visitas, mas não caia na armadilha de achar que é um quadro bonito, que você pendura na sala da internet.

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Manual de revenda em webdesign (3)

Uma coisa que percebi em meus textos anteriores sobre esse tema foi a falta de uma ilustração de workflow para projetos de webdesign, do ponto de vista do contratante que terceiriza serviços de web.
Em outras palavras, as etapas que eu já sigo e que deveriam ser pensadas (e seguidas) pelo contratante (designer gráfico ou de outras áreas afins) para que as coisas fluam mais rapidamente e todos ganhem dinheiro com isso.

Não vou postar aqui metodologias como Pert-CPM ou Scrum (embora eu use a segunda), e sim as etapas e recomendações que diferenciam um projeto de web de um projeto de mídia impressa, para ficar nesse exemplo:

 Revenda web_ manual

  1. Seu briefing não é o briefing para projetos de web Seu briefing de design gráfico vai tratar de layout, valor do trabalho e data de entrega, sem considerar que 50% do trabalho pode depender de outros atores que não você (hospedagem do site, registro de domínio, pesquisa ou desenvolvimento de soluções para o projeto).
    Na dúvida, antes de pedir informações junto aos clientes, peça um briefing ao terceirizado e junte com o seu.
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  2. O projeto de web não começa no layout
    Pegou o briefing, faça uma estrutura (rascunho) do que o site vai ter em todas as páginas, o famoso WireFrame (*); ou se tiver funcionalidades, faça do wireframe um storyboard. Embora existam programas para esse fim, ele pode ser feito em qualquer programa de edição de imagem (do Corel, passando pelo Ilustrator, chegando ao Paint do Windows ou Photoshop).
    Ah, sim, e aprove esse wireframe com o cliente!
    Com ele o terceirizado pode te dar um valor (preciso) do projeto, sem que você perca tempo desenhando algo que não vai ser aprovado, ou reduzindo sua margem de lucro ao renegociar o que ficou apenas subentendido.
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    (*) o WireFrame, aqui, está para o projeto de webdesign como o moodboard (ou painel semântico) para projetos de comunicação visual. O Wireframe tem outras aplicações e finalidades, que fogem ao contexto desse texto.
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  3. Depois do contato, o contrato
    Se o orçamento/proposta for aprovado, entra em cena o contrato de serviços.
    Se o projeto só envolver conteúdo (texto e imagem p.ex) seu contrato pode se basear num projeto de mídia impressa. Se houver outras funções seu contrato tem de prever o famoso “plano B” (acordos sobre os entregáveis). Nesse caso peça opinião ao terceirizado para redigir esses termos, evitando arcar com prejuízos antecipadamente.
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  4. Antes de tomar decisões fale com o terceirizado
    Definiu as coisas, peça opinião antes de mostrar o layout ao cliente. Aceite as opiniões do terceirizado, tanto para podar como para plantar coisas em seu projeto; se discordar, tente chegar num meio-termo. Todos vão sair ganhando no final, com menos retrabalho, menor prazo de entrega e dinheiro no banco mais cedo.
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  5. Desenho é trabalho futuro, não é trabalho passado.
    Se você chegou na fase de desenho do site, já tem as seções e funcionalidades definidas. Assim sendo, não inclua nada de novo no layout em relação ao que foi colocado no Wireframe; tudo o que for desenhado tem de ter sido aprovado no wireframe para ser produzido e isso leva tempo. Coisas novas significam tempo e valores novos, que não foram acordados anteriormente.
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  6. Ninguém sabe tudo (ou o bastante)
    Fazer o rótulo de um produto longa vida não é o mesmo que fazer uma nova embalagem deste produto. São designs diferentes.
    Você não precisa fazer uma certificação em gerência de projetos (embora fosse bom) ou ser profissional de todas as áreas de negócio com que trabalha, mas tenha em mente que você vai levar um (bom) tempo até entender como o mercado de internet funciona (!) e que ele muda todos os dias (o livro que você leu sobre Google Marketing já está 50% ultrapassado antes de você terminar de ler).
    Assim sendo, aprenda com o erro dos outros, terceirize.
    É um exercício de bom-senso e humildade ao mesmo tempo.

Links relacionados:
Mood Board – ABC Design; Chocoladesign;

Manual de revenda em webdesign (2)

Wallace Vianna é designer gráfico e webdesigner no Rio de Janeiro, RJ.

escravos-de-jo
Fonte da foto: http://www.pragentemiuda.org/2011/05/brincadeira-e-musica-escravos-de-jo.html

Sempre comento com alunos que gerenciar um projeto é tão (ou mais) trabalhoso quanto fazer um projeto. Não gerenciar é fazer dois (ou mais) projetos e receber apenas um. Ou seja: ruim gerenciando, pior não gerenciando.

Gerência de projetos é uma das trocentas matérias que a faculdade não ensina aos formandos, e, portanto, temos de aprender de alguma forma. Até sendo empregado você tem de gerenciar seu tempo e suas atividades para entregar o que lhe pedem. Sendo autônomo, profissional liberal ou empresário essa necessidade aumenta exponencialmente.

Acredito que não é preciso reinventar a roda: a nossa volta existem exemplos de gerencia de projetos, você pode escolher um deles – ou parte de vários – que se aplicam ao seu modo de pensar e sentir o mundo (essa frase não é minha é de Bill Gates).

Assim sendo, tenha em mente que quando você desenvolve um projeto sozinho(a), sem depender de terceirizados (fornecedores ou colaboradores), você pode se dar ao luxo de renegociar prazos, etapas e valores com o cliente final sem dar satisfações nem comunicar a terceiros. Num projeto com mão-de-obra  terceirizada isso não acontece.

Por isso, se você cair na armadilha de mudar o combinado com o cliente no meio do caminho, não vai ter muito espaço de manobra com o terceirizado, sem aviso prévio. Em resumo, se as duas pontas do projeto – cliente e terceirizado – não estiverem em sintonia em relação a preços, prazos e propostas, você terá de administrar prejuízos.

Mas você pode evitar isso! Vamos a alguns exemplos práticos dentro da área de webdesign:

Você é designer de mídia impressa e conseguiu um trabalho de desenvolvimento de site.
Você não faz sites mas tem o cliente, habilidade para desenhar e conduzir projetos em mãos.
Nesse momento:

1) Você contratou um terceirizado para fazer o site de seu cliente.
Você não tem um layout aprovado pelo cliente final mas precisa de um orçamento do terceirizado (para dar seu orçamento ao cliente final). Você pode fazer um wireframe* (estrutura) do site, a partir das necessidades de seu cliente.

Exemplo de wireframe

wireframe1

wireframe2

Exemplo de layout

layout1

layout2

O wireframe (neste caso, um verdadeiro storyboard) tem tudo o que o layout final vai ter: elementos, textos, posicionamento, tamanhos, funcionalidades visíveis ou descritas… tudo o que será preciso para o terceirizado dar um orçamento.

2) Você não tem todos os layouts aprovados, mas tem de colocar o bloco na rua com o que tem.
A dica anterior vale aqui também. Aprove com as partes – cliente e terceirizado – um wireframe do que será feito; depois faça o layout a partir dele (preencha os espaços das imagens, insira o texto definitivo, aplique as formações necessárias). Na pior das hipóteses você terá de negociar a aplicação de um sombreado e uma borda com o terceirizado, mas não o layout inteiro.

3) Você tem uma procuração informal para decidir as coisas pelo cliente pois (a) o cliente é muito ocupado (b) o cliente quer ver resultados (c) seu inconsciente quer passar uma imagem de competência (d) é assim que você trabalha em outros tipos de projetos

Sinto dizer, mas ao aceitar da gráfica uma prova de impressão sem mostrar ao cliente, ou aprovar um acabamento com o cliente sem conversar com o gráfico, você corre o risco de uma das partes – cliente ou terceirizado – não querer pagar ou refazer o trabalho. O mesmo se dá com projetos de internet.

Faça as conversas fluírem entre as partes: aprovou algo com o terceirizado, mostre ao cliente (ou vice-versa) antes de mandar fazer. É uma prova de bom-senso e humildade.

4) Ser flexível é diferente de não saber onde se quer chegar.
Definir previamente as coisas significa que outras pessoas programarão suas vidas baseado no acordado com você.
Se seu objetivo é transportar confortavelmente o cliente e o terceirizado para um lugar, você pode flexibilizar a condução, mas não o local de destino.
Você pode flexibilizar os pedidos com o terceirizado e cliente, mas sem mexer em valores e no escopo do trabalho. Conseguiu levar as pessoas com conforto no lugar combinado, com todos aceitando trocar a viagem no seu carro por um passeio de táxi? Então você cumpriu o combinado, sendo flexível.

5) Ninguém está livre de problemas. Como diz um certo ditado norte-americano “shit happens” (numa tradução livre, problemas acontecem). Sempre coloco em meus contratos de serviços prestados que, na impossibilidade de cumprir a risca o que foi planejado, as partes – contratante e contratado – entrarão num acordo, com cada qual abrindo mão de algo. Se não for possível, o trabalho se encerra ali, e tudo o que não pôde ser entregue ou faltou ser pago, é reembolsado – ou pago – proporcionalmente (esse é um dos motivos de eu trabalhar em etapas).

6) Tenha em mente que projetos de (web)design podem ser como um fast-food ou restaurante a La Carte.
Se seu cliente tem pressa, ele precisa de um projeto “fast-food”: um site expresso, com layout baseado em modelos não-originais, e serviços adicionais igualmente prontos. Neste caso não há como satisfazer todos os desejos do cliente, apenas colocar o bloco na rua.
Se o seu cliente deseja um projeto personalizado (o oposto do anterior), deverá se planejar com antecedência, pois os custos e prazos de entrega serão maiores.

Em ambos os casos envolver o cliente no processo além de ser uma mostra de humildade, ajuda a diminuir ruídos na comunicação.

Enfim, listo essas situações comuns na esperança de que alguém, que procure soluções ou se identifique com estes problemas, possa resolver questões de trabalho. Não tenho a pretensão de mudar o mundo, mas sim de colaborar para um mundo melhor.


Nota:

* Se o cliente – ou você – não entende um wireframe, use a criatividade: faça um desenho qualquer do site para o cliente ver e, a partir dele defina áreas (caixas) onde entrarão os elementos finais (wireframe). Mostre ao terceirizado as caixas com indicação de funcionalidades, tamanhos e posicionamentos (o wireframe), e, mais adiante, com o tudo aprovado, mostre o desenho final da página. Isso agiliza o processo e evita ruídos entre o combinado e o entregue.

Manual de revenda em webdesign

Resumo: Este texto procura  dar dicas a profissionais de design sobre como vender adequadamente serviços terceirizados de internet (webdesign).


http://gartic.uol.com.br/desenhos/escravos-de-jo

Revenda de serviços na área de internet existe de várias maneiras. Há a revenda de espaço de hospedagem de sites, por exemplo: o provedor de hospedagem vende um grande espaço em disco para profissionais e empresas que revendem esse espaço subdividido em discos/pastas menores, para seus clientes finais. Todos ganham: o provedor de hospedagem vende no atacado e o contratante ganha no varejo.
Há os profissionais de design que terceirizam outras áreas (internet, p.ex.) como qualquer agência. O profissional de design ganha em oferecer gama de serviços – entre eles serviços de internet – e o webdesigner contratado ganha na quantidade de serviços que recebe. Onde quero chegar é aqui.

Com citei em outro texto, sobre o Adobe Muse, webdesign e midia impressa (design gráfico) são semelhantes no conceito, mas não guardam muitas semelhanças. Ambos lidam com informação visual e diagramação, mas no caso do webdesign essa informação pode ser ouvida (deficientes visuais que acessam sites/sitios com leitores de tela) ou interagida (no caso de sites com conteúdo dinâmico – blogs, por exemplo). O briefing para vender um livreto provavelmente não será igual para vender um hotsite (site/sítio sazonal ou pequeno sítio dentro de um sítio maior). Assim sendo, resolvi fazer um pequeno manual para quem deseja terceirizar ou revender serviços de internet (webdesign). Motivo: já fui contactado para boas propostas de trabalho (do ponto de vista financeiro ou de portfólio) que não se efetivaram, entre outras razões, por falta de certas informações:

1) Faça o briefing correto. Costumo classificar o briefing como técnico, criativo ou executivo (ou um misto dos três). Posto um pequeno exemplo aqui que peguei emprestado da antiga revista Webdesign da Arteccom.
É importante fazer a sabatina completa e ser psicólogo, pois, antecipar as necessidades do cliente facilita a vida dele e se traduz em trabalho para você.
Um exemplo de como as perguntas certas podem fazer a diferença: um cliente contratou por conta própria um serviço de internet e apenas “desejava” uma funcionalidade nele. Logo após me contratou e pediu para colocar a funcionalidade desejada, mas eu descobri que não podia ser, no serviço contratado. Tempos depois descobri a solução em outra empresa, mas o cliente já não desejava migrar, pois já tinha organizado todo o seu trabalho na empresa atual.

Se eu fosse chamado desde o início e não fizesse todas as perguntas na hora certa, a necessidade iria passar em branco, e ainda seria acusado de indicar um serviço ruim (!). Se eu fizesse as perguntas certas desde o início, iria filtrar esse desejo do cliente.
Pensar nas necessidades antes de contratar serviços é semelhante a pensar na gráfica certa, antes de diagramar o trabalho.

2) Solicite de dois a três orçamentos com custos diferentes ao terceirizado, para que o cliente final possa ter opções dentro do sua verba. Mas isso depende de que você:

3) Evite orçamentos “para o mesmo dia”. Se o orçamento depender de terceiros, coloque pelo menos 2 dias para o terceirizado poder tirar dúvidas ou fazer levantamentos. Um bom orçamento normalmente será mais barato e preciso do que um orçamento feito às pressas. Por isso:

4) Leve o terceirizado para conversar com o cliente final, se puder. Se não puder, peça um modelo de briefing completo para o terceirizado. Como citei no tópico anterior, um boas perguntas podem ser a diferença entre um orçamento impreciso e caro que será recusado e outro, preciso, e aprovado com preço justo.

5) Faça as conversas fluírem entre as partes interessadas. Um exemplo: se você tem dúvidas sobre o que o cliente deseja, não consegue extrair a informação por desconhecer a atividade terceirizada ou não sabe se é possível entregar o que lhe pedem, não queira “fazer surpresa” ou superestimar seus conhecimentos na matéria. Os dois tópicos anteriores são sugestões para ganhar tempo nestes casos. Assim sendo,

6) Seja humilde. Faça um curso sobre o serviço terceirizado, assista palestras ou solicite informações ao terceirizado sobre como as coisas funcionam nesse metièr.
Uma forma de ser humilde é pedir opinião para quem vai fazer o site, de fato,  antes de apresentar o layout ao cliente. Você pode até ficar decepcionado(a) de saber que aquela linda página de abertura é um obstáculo para que o site de seu cliente seja localizado pelo Google, mas certamente vai achar uma alternativa tão bonita o quanto.
O personagem Dilbert das tirinhas de quadrinhos diz que “todos somos ignorantes em áreas diferentes”. Ninguém sabe tudo sobre informática, nem Bill Gates.
Ok, design é projeto, muitos administradores gerenciam projetos fora de sua área de formação, mas todos bons administradores sabem lidar com pessoas (essa frase não é minha, é de Jack Welsh, ex-presidente da GE) para fazer a coisa certa.
Outro motivo é que as coisas mudam muito depressa: se você acha e-mail marketing (mala direta digital) o máximo em publicidade com custos baixos ainda não ouviu falar em marketing de mídia social. Tenho um cliente que faz uso intensivo disso para divulgar e fomentar seus produtos e serviços, com excelentes resultados.

Enfim, essas recomendações são úteis quando trocamos de lado do balcão, e passamos a  ser clientes dos profissionais contratados.