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Site do dia (3)

Esse site da AADA, apesar de não ser responsivo é um primor, pelo desenho. O que mostra que um bom design não precisa andar de braços dados com a última tecnologia da moda. Design é algo mais nobre do apenas tecnologia.
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Site do dia (1)

Queria começar uma série de postagens sobre sites que merecem uma visita, pelo ponto de vista do design e/ou conteúdo.

Queria começar por esse, o da Ilimitada Design. Um ótimo portfólio de design, chega a ser inspirador.

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O design ainda faz a diferença

Wallace Vianna é web designer, designer gráfico e ilustrador no Rio de Janeiro RJ

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Fonte da imagem: Flickr, Douglas Cavendish.

Nunca foi tão fácil produzir material de comunicação visual (gráfico ou digital). As ferramentas estão à disposição, cada vez mais fáceis, basta procurar ou se informar.

Se você trabalha com web design, existem os CMS que são gerenciadores de conteúdo. Ok, nem todos são simples de usar para a atividade fim – inserir conteúdo – como o WordPress e nenhum CMS é o paraíso para se desenvolver soluções técnicas, mas por outro lado qualquer CMS ou blog é campeão quando o assunto é colocar o bloco na rua por sí mesmo, sem grandes ajudas de terceiros.

Pois hoje você pode fazer mudanças de layout no seu WordPress usando o DreamWeaver, ou plug-ins para construção de páginas (page builders) ou construção de temas (theme builders). Você pode trabalhar localmente em seu computador ou online na web, instalando ou não software. Se você colocar na lista de opções poder trabalhar inclusive em tablets (a Adobe já lançou versões de seus softwares para tablets) então você percebe que a concorrência na área de programação visual (editoração de conteúdo) aumenta na proporção da facilidade das ferramentas.

Nesse momento vem a velha discussão: vender serviços de design então ficou mais difícil, o “sobrinho-do-tio” cada vez mais é meu concorrente? Não, isso nunca vai acontecer pois o “sobrinho” dificilmente vai trabalhar para uma pessoa jurídica (a não ser que se constitua como empresa); o “sobrinho” pode até ter talento para desenhar e conhecer a ferramenta mas não vai fazer o melhor uso dela (seja no desenvolvimento ou finalização do trabalho);  o “sobrinho” não vai fazer muitas coisas que o designer levou anos para aprender.

No dia em que um software e hardware me prepararem um bolo, ficarei tão feliz quanto preocupado, mas isso ainda está distante

Cito um exemplo prático: um(a) ex-cliente contratou uma pessoa (provavelmente uma gráfica rápida) para fazer o letreiro de sua empresa. O letreiro na tela do computador com certeza parecia ok, mas na hora de imprimir o contraste entre a imagem de fundo escura e o texto (preto) tornou parte do texto ilegível. No mínimo faltou prova de impressão antes de fazer o letreiro, erro que um profissional da área jamais cometeria.

Outro exemplo é o de que as tecnologias ainda vão levar um bom tempo para automatizar questões triviais (para nós) como ler um texto e aplica-lo no seu trabalho. Que dirá questões subjetivas/individuais como criatividade. No dia em que um software e um hardware puderem ler uma receita impressa e me preparar um bolo, ficarei tão feliz quanto preocupado, mas isso ainda está distante.

As novas ferramentas pressupõem que o designer tem que fazer aprendizado pragmático, ou seja, relacionado a seus projetos contratados ou de médio e longo prazo, em relação ao seu capital intelectual. São escolhas dificeis, mas no final das contas acabamos por fazer aprendizado em relação aos projetos, pois o tempo para trabalhar normalmente é tão curto como o tempo de aprender. E no fim das contas aprendemos somando conhecimentos existentes. Aprender uma área totalmente nova vai levar mais tempo do que aprender uma área relacionada ao seu trabaho atual.

Assim sendo, cabe ao designer ficar atualizado em relação às novas ferramentas e tecnologias para adicionar a elas o seu design. E acima de tudo deixar claro ao cliente que o resultado final de tudo o que faz tem design, e não pode ser feito por amadores ou apenas tecnologia.

 

Design além da forma

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Imagem – fonte: http://www.imagens.usp.br/wp-content/uploads/06082012ebookFotoMarcosSantos024-240×135.jpg

Wallace Vianna é web designer e designer gráfico

Uma colega de trabalho me fez uma observação que na verdade era mais um alerta profissional do que ensinamento. “Voce é de web, mas observe estas questões ao diagramar um trabalho gráfico…”
Eram questões de design: equilíbrio, simetria, proximidade, direção, similaridade, cor, tipologia, e é claro, desenho. Estava num dia pouco inspirado, e isso realmente estava afetando a qualidade final de meu trabalho.

Fazer design para web ou gráfica é design. O que muda são algumas ferramentas, mas o ato de desenhar considerando questões e projeto é igual em qualquer área do design, seja uma página de internet, página impressa, painel de carro ou de um avião.

Vamos tomar como exemplo uma página de internet/digital e uma página de livro, revista ou  jornal, como na foto acima. O que elas tem de diferente?

Hifenização: página de internet não tem separação de sílabas ainda, mas acredito que possa ter, do mesmo jeito que os navegadores possuem verificador ortográfico para textos digitados em campos de formulário, por exemplo. Até por que se o layout for fixo, a mudança de espaçamento em blocos de texto hifenizados pode comprometer o layout visível. Mas isso – texto extrapolando ou aquém do espaço disponivel – sempre será um problema em projetos/páginas que não consideram aumento do tamanho do texto, por exemplo.

Versão em mais de um idioma, na mesma página, no mesmo espaço. Na internet pode-se traduzir todo o texto de uma página, na mídia impressa tem de existir versões, muitas vezes, em páginas distintas ou em resumo.

Multimídia: evidentemente colocar multimídia em mídia impressa é tarefa praticamente impossível. O máximo que se pode é variar o papel, tipo de impressão ou acabamento. O mais longe que já ví em mídia impressa foi impressão de tinta com perfume (!).

Interface: apesar do senso comum, ambas mídias – impressa e digital – tem suas limitações muito bem claras no tocante ao acesso da informação. Apesar do desenho das páginas de internet poder ser variado, o acesso ainda se dá por teclado e mouse (agora tela de toque/touch screen, que é como o mouse sobre a tela).
Os livros podem no máximo ter um formato (termo técnico, faca) diferente, diagramação menos convencional (se bem que tentar trazer a leitura de hipertexto para a página impressa virou moda, desde que criaram as “notas de parágrafo”).

Portabilidade: dentro das mídias eletrônicas o e-book/livro eletrônico parece ser uma tentativa de trazer o digital para o analógico; aparelhos como o Ipad,  Kindle e o Kobo tentam a todo custo fazer com que a leitura de um livro em tela seja confortável e prática como o livro de papel. Baterias auxiliares (ou solares) para equipamentos eletrônicos entram nesse contexto para prover energia – e uso – por longos períodos de tempo. Novas tecnologias como o papel eletrônico e tinta digital entram nesse contexto. Mas o livro impreso ainda ganha no quesito portabilidade (falo aqui também no sentido de resistência a danos como quedas) e consumo de energia.

Revisão: isso pode considerar o perídodo de pré ou pós editoração. Durante a editoração (hoje eletrônica) a revisão do trabalho a ser impresso é das mais simples, em relação aos tempos de “editoração de mesa” (desktop). Após a impressão a revisão somente pode se dar com inclusão de anexos/erratas; após a distribuição, só na edição seguinte.
Na mídia eletrônica (internet) a revisão pode se  dar a qualquer momento, sem grandes custos; pode-se ainda manter um histórico de versões de um  mesmo conteúdo (se o material for produzido em CMS – gerenciadores de conteúdo ou Wikis), ou, como no caso dos blogs, fazer das marcas de revisão (texto riscado) parte do texto, assinalando que o conteúdo mudou ao longo do tempo.

Leitura: o hipertexto é bem diferente do texto impresso, apesar do texto digital ter o impresso como base. A diferença está mais na agilidade do que no conceito: se você tem as referências de seu texto (impresso ou na internet) disponíveis no momento da leitura você tem um sistema de hipertexto em funcionamento.

Poderia prosseguir com a lista mas na essência todo o processo de editoração de uma página (de internet ou impressa) seguem os mesmos paradigmas de design. De um lado a inspiração e arte para fazer o trabalho caminham de mãos dadas com a tecnologia disponível para a realização. O design estará presente até no dia em que a página de revista puder ser lida na tela do óculos ou na lente de contato.

Design sem designer, não.

Wallace Vianna é designer gráfico e webdesigner no Rio de Janeiro, RJ.

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Imagens:
http://butterflyhands.wordpress.com/category/sketch/page/6/
http://antigosmodernos.blogspot.com.br/2011/12/achei-um-charme.html

Estava olhando uma camiseta que ganhei há tempos: tinha um desenho muito bom, pois, mesmo tendo sido feita para divulgar a empresa do cliente, dava pra usar sem parecer um outdoor ambulante, Dava, pois depois de entregue o cliente final mandou aplicar por cima da estampa o nome da empresa, bem visível e de modo chamativo. Moral da história: acho que só usei a camiseta uma única vez. Intervenções de design feitas por quem não é designer quase sempre acabam mal.

Dando aula de projeto de webdesign, normalmente deixo os alunos escolherem o tema de seus projetos pessoais. Mas procuro orientá-los a escolher previamente um desenho de site existente, pois nem todo mundo que faz esse curso  tem formação em design. Mais ou menos como indicar para a secretária um modelo de apresentação de PowerPoint antes dela começar a montar a apresentação (colocar as fotos e textos nos escaninhos dos slides).
O motivo é evidente: por mais que você não saiba desenhar, você vai gostar dos seus desenhos, assim como todos os pais amam seus filhos (essa observação não é uma licença poética).

Por isso, antes de começar a aula de projeto mostro um exemplo, um “caso real” do que acontece quando o(a) aluno(a) escolhe um desenho e no meio do caminho muda de idéia… personalizando o desenho ao seu gosto pessoal.

Mostrando esse exemplo, cito o exemplo do clássica história do Frankenstein (que mostra que juntar pedaços desconexos para dar vida a algo nunca não acaba bem) e normalmente até os mais teimosos se rendem aos fatos: design deve ser deixado com os designers, assim como medicina com os médicos e assim por diante.

Num evento sobre internet o palestrante mencionou um fato: desenvolver sites com CMS (Gerenciadores de Conteúdo, na tradução) além de ser boa  opção de ferramenta integradora (design, marketing e programação) é uma boa maneira de evitar que o cliente descaracterize seu trabalho de design. Os CMS são tão engessados (ou padronizados) que desanima qualquer curioso a fazer alterações no projeto (de design) desenvolvido.

Certo, existem as exceções: já conheci estudantes de programação que desenhavam muito bem. Um de meus ídolos na área de design para internet é engenheiro civil (!). Mas isso não habilita que um técnico em enfermagem faça operações no cérebro. Pelo menos não antes de mostrar sua experiência ou talento no assunto. E isso vale para webdesign também.

Enfim, o que me motivou a fazer estas linhas foi um fato meio recorrente a qualquer profissional de webdesign: tive de refazer um site que esta no meu portfólio, meio às pressas, pois o seu design hoje já não é mais o mesmo, da época em que foi entregue. Nestas horas  meu lado webdesigner tem inveja de meu lado designer gráfico, de mídia impressa: se o cliente quiser personalizar um livro depois que sai da gráfica, vai ter de gastar muito tempo ou dinheiro (dependendo da tiragem). Desabafos à parte, todo webdesigner tem de ter uma cópia de seu site entregue, em seu site pessoal.

Design a la carte ou fast-food

Wallace Vianna é mestre em design pela ESDI/UERJ, designer gráfico e webdesigner.


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Imagem: site RG Terra 

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Imagem: Graciolli.com

Ao nos formarmos escolhemos a forma como iremos atuar no mercado: como empregado, autônomo ou empresário/profissional liberal. No desenvolvimento de projetos, em serviços de apoio a projetos (me especializei nessa área, por exemplo) ou gerência de projetos.
Na hora de desenvolver projetos também temos de tomar opções semelhantes: nossos clientes serão pessoas físicas ou jurídicas? Queremos desenvolver projetos personalizados ou pré-definidos?

Dá pra misturar os ingredientes desse almoço em categorias diferentes (projeto pré-definido para pessoa física, projeto personalizado para pessoa jurídica) mas misturar ingredientes duma mesma categoria pode gerar problemas. Começar um projeto pré-definido e terminar com um personalizado provavelmente vai deixar um buraco no orçamento do executor do projeto. O mesmo raciocínio vale na hora do designer terceirizar serviços. O terceirizado é remunerado para fazer e receber. Se o designer precisa refazer serviços, deve contar com uma equipe própria, com remuneração fixa, para esse fim. Cada coisa no seu lugar.

Quando era aluno de Freddy Van Camp, ele certa vez comentou que em todo trabalho primeiro vem o contato e depois vem o contrato. Sempre digo que em todo projeto o acordado tem de acompanhar o executado. Alguns projetos mais complexos começam no Metaprojeto *, mas isso não vem ao caso agora. O principal é ter bem claro o tipo de projeto se quer desenvolver e como ganhar dinheiro com isso.

Na faculdade de design nos é ensinado a pensar em projetos que envolvem o cliente do início a entrega, de forma a desenvolver produtos e serviços, que, mesmo não sendo únicos ou originais, sempre recebem este tratamento. Daí o problema que surge quando a concorrência oferece produtos pré-prontos e o designer não. O designer do século XXI precisa pensar em projetos de múltiplos formatos: impresso e digital; personalizados e pré-definidos; para pessoas física e jurídica; para grandes, médias e pequenas necessidades.

Na área de design existem muitas soluções prontas como o Fácil Print  ou construtores de sites da Locaweb . Tenho uma ex-aluna que comercializa cartões comemorativos impressos http://www.beneditodesign.com.br/index.htm, que é um tipo de projeto pronto. Tudo isso é design pré-definido, como lanchonete fast-food.

Em resumo: o mercado muda, exiguindo novas habilidades e competências, mas cada uma dessas habilidades é uma oportunidade nova de faturamento. Como diz o velho ditado, problemas são oportunidades disfaçadas de trabalho.

* Metaprojeto como o nome sugere, é algo além do projeto, ou melhor, é um projeto que antecede o projeto de fato. Se assemelha a um plano de negócios, que antecede o negócio, neste está descrito tudo o que pode envolver o negócio: objetivos, público-alvo, recursos necessários, valores atualizados, e até o que será feito se o negócio não der certo. Metaprojetos sáo um levantamento de todos os requerimentos do projeto e cenários possíveis para se avaliar a exiquidade do projeto.

Resumo e artigo de Dijon de Moraes, teórico de metaprojetos: Metaprojeto o design do design • Metaprojeto como modelo projetual