Arquivo para dezembro \06\UTC 2014

Manual de revenda em webdesign (3)

Uma coisa que percebi em meus textos anteriores sobre esse tema foi a falta de uma ilustração de workflow para projetos de webdesign, do ponto de vista do contratante que terceiriza serviços de web.
Em outras palavras, as etapas que eu já sigo e que deveriam ser pensadas (e seguidas) pelo contratante (designer gráfico ou de outras áreas afins) para que as coisas fluam mais rapidamente e todos ganhem dinheiro com isso.

Não vou postar aqui metodologias como Pert-CPM ou Scrum (embora eu use a segunda), e sim as etapas e recomendações que diferenciam um projeto de web de um projeto de mídia impressa, para ficar nesse exemplo:

 Revenda web_ manual

  1. Seu briefing não é o briefing para projetos de web Seu briefing de design gráfico vai tratar de layout, valor do trabalho e data de entrega, sem considerar que 50% do trabalho pode depender de outros atores que não você (hospedagem do site, registro de domínio, pesquisa ou desenvolvimento de soluções para o projeto).
    Na dúvida, antes de pedir informações junto aos clientes, peça um briefing ao terceirizado e junte com o seu.
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  2. O projeto de web não começa no layout
    Pegou o briefing, faça uma estrutura (rascunho) do que o site vai ter em todas as páginas, o famoso WireFrame (*); ou se tiver funcionalidades, faça do wireframe um storyboard. Embora existam programas para esse fim, ele pode ser feito em qualquer programa de edição de imagem (do Corel, passando pelo Ilustrator, chegando ao Paint do Windows ou Photoshop).
    Ah, sim, e aprove esse wireframe com o cliente!
    Com ele o terceirizado pode te dar um valor (preciso) do projeto, sem que você perca tempo desenhando algo que não vai ser aprovado, ou reduzindo sua margem de lucro ao renegociar o que ficou apenas subentendido.
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    (*) o WireFrame, aqui, está para o projeto de webdesign como o moodboard (ou painel semântico) para projetos de comunicação visual. O Wireframe tem outras aplicações e finalidades, que fogem ao contexto desse texto.
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  3. Depois do contato, o contrato
    Se o orçamento/proposta for aprovado, entra em cena o contrato de serviços.
    Se o projeto só envolver conteúdo (texto e imagem p.ex) seu contrato pode se basear num projeto de mídia impressa. Se houver outras funções seu contrato tem de prever o famoso “plano B” (acordos sobre os entregáveis). Nesse caso peça opinião ao terceirizado para redigir esses termos, evitando arcar com prejuízos antecipadamente.
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  4. Antes de tomar decisões fale com o terceirizado
    Definiu as coisas, peça opinião antes de mostrar o layout ao cliente. Aceite as opiniões do terceirizado, tanto para podar como para plantar coisas em seu projeto; se discordar, tente chegar num meio-termo. Todos vão sair ganhando no final, com menos retrabalho, menor prazo de entrega e dinheiro no banco mais cedo.
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  5. Desenho é trabalho futuro, não é trabalho passado.
    Se você chegou na fase de desenho do site, já tem as seções e funcionalidades definidas. Assim sendo, não inclua nada de novo no layout em relação ao que foi colocado no Wireframe; tudo o que for desenhado tem de ter sido aprovado no wireframe para ser produzido e isso leva tempo. Coisas novas significam tempo e valores novos, que não foram acordados anteriormente.
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  6. Ninguém sabe tudo (ou o bastante)
    Fazer o rótulo de um produto longa vida não é o mesmo que fazer uma nova embalagem deste produto. São designs diferentes.
    Você não precisa fazer uma certificação em gerência de projetos (embora fosse bom) ou ser profissional de todas as áreas de negócio com que trabalha, mas tenha em mente que você vai levar um (bom) tempo até entender como o mercado de internet funciona (!) e que ele muda todos os dias (o livro que você leu sobre Google Marketing já está 50% ultrapassado antes de você terminar de ler).
    Assim sendo, aprenda com o erro dos outros, terceirize.
    É um exercício de bom-senso e humildade ao mesmo tempo.

Links relacionados:
Mood Board – ABC Design; Chocoladesign;

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