Arquivo para maio \25\UTC 2014

Design além da forma

livro-ebook

Imagem – fonte: http://www.imagens.usp.br/wp-content/uploads/06082012ebookFotoMarcosSantos024-240×135.jpg

Wallace Vianna é web designer e designer gráfico

Uma colega de trabalho me fez uma observação que na verdade era mais um alerta profissional do que ensinamento. “Voce é de web, mas observe estas questões ao diagramar um trabalho gráfico…”
Eram questões de design: equilíbrio, simetria, proximidade, direção, similaridade, cor, tipologia, e é claro, desenho. Estava num dia pouco inspirado, e isso realmente estava afetando a qualidade final de meu trabalho.

Fazer design para web ou gráfica é design. O que muda são algumas ferramentas, mas o ato de desenhar considerando questões e projeto é igual em qualquer área do design, seja uma página de internet, página impressa, painel de carro ou de um avião.

Vamos tomar como exemplo uma página de internet/digital e uma página de livro, revista ou  jornal, como na foto acima. O que elas tem de diferente?

Hifenização: página de internet não tem separação de sílabas ainda, mas acredito que possa ter, do mesmo jeito que os navegadores possuem verificador ortográfico para textos digitados em campos de formulário, por exemplo. Até por que se o layout for fixo, a mudança de espaçamento em blocos de texto hifenizados pode comprometer o layout visível. Mas isso – texto extrapolando ou aquém do espaço disponivel – sempre será um problema em projetos/páginas que não consideram aumento do tamanho do texto, por exemplo.

Versão em mais de um idioma, na mesma página, no mesmo espaço. Na internet pode-se traduzir todo o texto de uma página, na mídia impressa tem de existir versões, muitas vezes, em páginas distintas ou em resumo.

Multimídia: evidentemente colocar multimídia em mídia impressa é tarefa praticamente impossível. O máximo que se pode é variar o papel, tipo de impressão ou acabamento. O mais longe que já ví em mídia impressa foi impressão de tinta com perfume (!).

Interface: apesar do senso comum, ambas mídias – impressa e digital – tem suas limitações muito bem claras no tocante ao acesso da informação. Apesar do desenho das páginas de internet poder ser variado, o acesso ainda se dá por teclado e mouse (agora tela de toque/touch screen, que é como o mouse sobre a tela).
Os livros podem no máximo ter um formato (termo técnico, faca) diferente, diagramação menos convencional (se bem que tentar trazer a leitura de hipertexto para a página impressa virou moda, desde que criaram as “notas de parágrafo”).

Portabilidade: dentro das mídias eletrônicas o e-book/livro eletrônico parece ser uma tentativa de trazer o digital para o analógico; aparelhos como o Ipad,  Kindle e o Kobo tentam a todo custo fazer com que a leitura de um livro em tela seja confortável e prática como o livro de papel. Baterias auxiliares (ou solares) para equipamentos eletrônicos entram nesse contexto para prover energia – e uso – por longos períodos de tempo. Novas tecnologias como o papel eletrônico e tinta digital entram nesse contexto. Mas o livro impreso ainda ganha no quesito portabilidade (falo aqui também no sentido de resistência a danos como quedas) e consumo de energia.

Revisão: isso pode considerar o perídodo de pré ou pós editoração. Durante a editoração (hoje eletrônica) a revisão do trabalho a ser impresso é das mais simples, em relação aos tempos de “editoração de mesa” (desktop). Após a impressão a revisão somente pode se dar com inclusão de anexos/erratas; após a distribuição, só na edição seguinte.
Na mídia eletrônica (internet) a revisão pode se  dar a qualquer momento, sem grandes custos; pode-se ainda manter um histórico de versões de um  mesmo conteúdo (se o material for produzido em CMS – gerenciadores de conteúdo ou Wikis), ou, como no caso dos blogs, fazer das marcas de revisão (texto riscado) parte do texto, assinalando que o conteúdo mudou ao longo do tempo.

Leitura: o hipertexto é bem diferente do texto impresso, apesar do texto digital ter o impresso como base. A diferença está mais na agilidade do que no conceito: se você tem as referências de seu texto (impresso ou na internet) disponíveis no momento da leitura você tem um sistema de hipertexto em funcionamento.

Poderia prosseguir com a lista mas na essência todo o processo de editoração de uma página (de internet ou impressa) seguem os mesmos paradigmas de design. De um lado a inspiração e arte para fazer o trabalho caminham de mãos dadas com a tecnologia disponível para a realização. O design estará presente até no dia em que a página de revista puder ser lida na tela do óculos ou na lente de contato.

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