Arquivo para março \24\UTC 2013

Design a la carte ou fast-food

Wallace Vianna é mestre em design pela ESDI/UERJ, designer gráfico e webdesigner.


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Imagem: site RG Terra 

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Imagem: Graciolli.com

Ao nos formarmos escolhemos a forma como iremos atuar no mercado: como empregado, autônomo ou empresário/profissional liberal. No desenvolvimento de projetos, em serviços de apoio a projetos (me especializei nessa área, por exemplo) ou gerência de projetos.
Na hora de desenvolver projetos também temos de tomar opções semelhantes: nossos clientes serão pessoas físicas ou jurídicas? Queremos desenvolver projetos personalizados ou pré-definidos?

Dá pra misturar os ingredientes desse almoço em categorias diferentes (projeto pré-definido para pessoa física, projeto personalizado para pessoa jurídica) mas misturar ingredientes duma mesma categoria pode gerar problemas. Começar um projeto pré-definido e terminar com um personalizado provavelmente vai deixar um buraco no orçamento do executor do projeto. O mesmo raciocínio vale na hora do designer terceirizar serviços. O terceirizado é remunerado para fazer e receber. Se o designer precisa refazer serviços, deve contar com uma equipe própria, com remuneração fixa, para esse fim. Cada coisa no seu lugar.

Quando era aluno de Freddy Van Camp, ele certa vez comentou que em todo trabalho primeiro vem o contato e depois vem o contrato. Sempre digo que em todo projeto o acordado tem de acompanhar o executado. Alguns projetos mais complexos começam no Metaprojeto *, mas isso não vem ao caso agora. O principal é ter bem claro o tipo de projeto se quer desenvolver e como ganhar dinheiro com isso.

Na faculdade de design nos é ensinado a pensar em projetos que envolvem o cliente do início a entrega, de forma a desenvolver produtos e serviços, que, mesmo não sendo únicos ou originais, sempre recebem este tratamento. Daí o problema que surge quando a concorrência oferece produtos pré-prontos e o designer não. O designer do século XXI precisa pensar em projetos de múltiplos formatos: impresso e digital; personalizados e pré-definidos; para pessoas física e jurídica; para grandes, médias e pequenas necessidades.

Na área de design existem muitas soluções prontas como o Fácil Print  ou construtores de sites da Locaweb . Tenho uma ex-aluna que comercializa cartões comemorativos impressos http://www.beneditodesign.com.br/index.htm, que é um tipo de projeto pronto. Tudo isso é design pré-definido, como lanchonete fast-food.

Em resumo: o mercado muda, exiguindo novas habilidades e competências, mas cada uma dessas habilidades é uma oportunidade nova de faturamento. Como diz o velho ditado, problemas são oportunidades disfaçadas de trabalho.

* Metaprojeto como o nome sugere, é algo além do projeto, ou melhor, é um projeto que antecede o projeto de fato. Se assemelha a um plano de negócios, que antecede o negócio, neste está descrito tudo o que pode envolver o negócio: objetivos, público-alvo, recursos necessários, valores atualizados, e até o que será feito se o negócio não der certo. Metaprojetos sáo um levantamento de todos os requerimentos do projeto e cenários possíveis para se avaliar a exiquidade do projeto.

Resumo e artigo de Dijon de Moraes, teórico de metaprojetos: Metaprojeto o design do design • Metaprojeto como modelo projetual 

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Logomarca, não.

Wallace Vianna é mestre em design pela ESDI/UERJ, designer gráfico e webdesigner no Rio de Janeiro, RJ.

Explicação rápida: existe logotipo (representação de idéia, entidade ou pessoa) por meio de caracteres (letras e/ou números) e marca (representação por meio de imagem acompanhada ou não de caracteres).
A confusão, dúvida ou falta de informação se dá pois “se existe logotipo e marca, logomarca deve ser o logotipo com marca”.

Para quem quer mais explicações, vide a Wikipedia:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Logotipo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Marca

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logomarca-nao-3

Outro erro muito comum e recorrente é oferecer “curso de (web)designer” ou “designer gráfico”.

Até onde sei, obtermos formação numa determinada área do conhecimento, para atuarmos no mercado como profissionais.
Ou seja, nos formamos na atividade (design) para atuarmos como profissionais da área (designers). Ninguém faz “curso de arquiteto”, “curso de engenheiro”ou “curso de designer”, e sim curso de arquitetura, engenharia ou design. Afirmar o contrário equivale a dizer que fez um curso (de etiqueta, só pode ser) para aprender a se portar como um arquiteto, engenheiro ou… designer.
Aos cursos que advogam que “formam profissionais e não estudantes”, isso equivale a dizer que só oferecem cursos de atualização, já que todos seus “estudantes” já são profissionais.

Enfim, licenças poéticas a parte, esse spam que recebi, ilustra o meu raciocínio.

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Além de usarem a expressão errada (entregam o site com um designer bem vestido, só pode ser), enviaram propaganda para um concorrente. Como diria o rei Roberto Carlos “Não sou contra o progresso / mas apelo pro bom-senso / um erro não conserta o outro / isso é o que eu penso”.


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