Arquivo para janeiro \03\UTC 2013

Manual de revenda em webdesign (2)

Wallace Vianna é designer gráfico e webdesigner no Rio de Janeiro, RJ.

escravos-de-jo
Fonte da foto: http://www.pragentemiuda.org/2011/05/brincadeira-e-musica-escravos-de-jo.html

Sempre comento com alunos que gerenciar um projeto é tão (ou mais) trabalhoso quanto fazer um projeto. Não gerenciar é fazer dois (ou mais) projetos e receber apenas um. Ou seja: ruim gerenciando, pior não gerenciando.

Gerência de projetos é uma das trocentas matérias que a faculdade não ensina aos formandos, e, portanto, temos de aprender de alguma forma. Até sendo empregado você tem de gerenciar seu tempo e suas atividades para entregar o que lhe pedem. Sendo autônomo, profissional liberal ou empresário essa necessidade aumenta exponencialmente.

Acredito que não é preciso reinventar a roda: a nossa volta existem exemplos de gerencia de projetos, você pode escolher um deles – ou parte de vários – que se aplicam ao seu modo de pensar e sentir o mundo (essa frase não é minha é de Bill Gates).

Assim sendo, tenha em mente que quando você desenvolve um projeto sozinho(a), sem depender de terceirizados (fornecedores ou colaboradores), você pode se dar ao luxo de renegociar prazos, etapas e valores com o cliente final sem dar satisfações nem comunicar a terceiros. Num projeto com mão-de-obra  terceirizada isso não acontece.

Por isso, se você cair na armadilha de mudar o combinado com o cliente no meio do caminho, não vai ter muito espaço de manobra com o terceirizado, sem aviso prévio. Em resumo, se as duas pontas do projeto – cliente e terceirizado – não estiverem em sintonia em relação a preços, prazos e propostas, você terá de administrar prejuízos.

Mas você pode evitar isso! Vamos a alguns exemplos práticos dentro da área de webdesign:

Você é designer de mídia impressa e conseguiu um trabalho de desenvolvimento de site.
Você não faz sites mas tem o cliente, habilidade para desenhar e conduzir projetos em mãos.
Nesse momento:

1) Você contratou um terceirizado para fazer o site de seu cliente.
Você não tem um layout aprovado pelo cliente final mas precisa de um orçamento do terceirizado (para dar seu orçamento ao cliente final). Você pode fazer um wireframe* (estrutura) do site, a partir das necessidades de seu cliente.

Exemplo de wireframe

wireframe1

wireframe2

Exemplo de layout

layout1

layout2

O wireframe (neste caso, um verdadeiro storyboard) tem tudo o que o layout final vai ter: elementos, textos, posicionamento, tamanhos, funcionalidades visíveis ou descritas… tudo o que será preciso para o terceirizado dar um orçamento.

2) Você não tem todos os layouts aprovados, mas tem de colocar o bloco na rua com o que tem.
A dica anterior vale aqui também. Aprove com as partes – cliente e terceirizado – um wireframe do que será feito; depois faça o layout a partir dele (preencha os espaços das imagens, insira o texto definitivo, aplique as formações necessárias). Na pior das hipóteses você terá de negociar a aplicação de um sombreado e uma borda com o terceirizado, mas não o layout inteiro.

3) Você tem uma procuração informal para decidir as coisas pelo cliente pois (a) o cliente é muito ocupado (b) o cliente quer ver resultados (c) seu inconsciente quer passar uma imagem de competência (d) é assim que você trabalha em outros tipos de projetos

Sinto dizer, mas ao aceitar da gráfica uma prova de impressão sem mostrar ao cliente, ou aprovar um acabamento com o cliente sem conversar com o gráfico, você corre o risco de uma das partes – cliente ou terceirizado – não querer pagar ou refazer o trabalho. O mesmo se dá com projetos de internet.

Faça as conversas fluírem entre as partes: aprovou algo com o terceirizado, mostre ao cliente (ou vice-versa) antes de mandar fazer. É uma prova de bom-senso e humildade.

4) Ser flexível é diferente de não saber onde se quer chegar.
Definir previamente as coisas significa que outras pessoas programarão suas vidas baseado no acordado com você.
Se seu objetivo é transportar confortavelmente o cliente e o terceirizado para um lugar, você pode flexibilizar a condução, mas não o local de destino.
Você pode flexibilizar os pedidos com o terceirizado e cliente, mas sem mexer em valores e no escopo do trabalho. Conseguiu levar as pessoas com conforto no lugar combinado, com todos aceitando trocar a viagem no seu carro por um passeio de táxi? Então você cumpriu o combinado, sendo flexível.

5) Ninguém está livre de problemas. Como diz um certo ditado norte-americano “shit happens” (numa tradução livre, problemas acontecem). Sempre coloco em meus contratos de serviços prestados que, na impossibilidade de cumprir a risca o que foi planejado, as partes – contratante e contratado – entrarão num acordo, com cada qual abrindo mão de algo. Se não for possível, o trabalho se encerra ali, e tudo o que não pôde ser entregue ou faltou ser pago, é reembolsado – ou pago – proporcionalmente (esse é um dos motivos de eu trabalhar em etapas).

6) Tenha em mente que projetos de (web)design podem ser como um fast-food ou restaurante a La Carte.
Se seu cliente tem pressa, ele precisa de um projeto “fast-food”: um site expresso, com layout baseado em modelos não-originais, e serviços adicionais igualmente prontos. Neste caso não há como satisfazer todos os desejos do cliente, apenas colocar o bloco na rua.
Se o seu cliente deseja um projeto personalizado (o oposto do anterior), deverá se planejar com antecedência, pois os custos e prazos de entrega serão maiores.

Em ambos os casos envolver o cliente no processo além de ser uma mostra de humildade, ajuda a diminuir ruídos na comunicação.

Enfim, listo essas situações comuns na esperança de que alguém, que procure soluções ou se identifique com estes problemas, possa resolver questões de trabalho. Não tenho a pretensão de mudar o mundo, mas sim de colaborar para um mundo melhor.


Nota:

* Se o cliente – ou você – não entende um wireframe, use a criatividade: faça um desenho qualquer do site para o cliente ver e, a partir dele defina áreas (caixas) onde entrarão os elementos finais (wireframe). Mostre ao terceirizado as caixas com indicação de funcionalidades, tamanhos e posicionamentos (o wireframe), e, mais adiante, com o tudo aprovado, mostre o desenho final da página. Isso agiliza o processo e evita ruídos entre o combinado e o entregue.

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