Arquivo para maio \11\UTC 2012

Processos criativos

Wallace Vianna é mestre em design pela ESDI/UERJ, designer gráfico e webdesigner no Rio de Janeiro, RJ.


Fonte: http://www.presentationzen.com/presentationzen/2006/08/from_design_to_.html Adaptado de iStockphoto e Daniel H. Pink “A whole new mind”

Participei recentemente de um curso cujo conceito do trabalho (processo criativo) pode ser aplicado a projetos coletivos diversos. Achei digno de registro, pois estes cases servem de reflexão e modelo para organizadores que precisam desenvolver atividades envolvendo projetos coletivos com alunos, equipe ou colegas de trabalho, etc.

No primeiro trabalho coletivo, o tema e o escopo eram dados pelo organizador e o conteúdo era criado pela equipe participante.
Para não ficar muito abstrato vamos tomar como exemplo fictício um projeto para desenvolver um estande de vendas imobiliário; aqui há a maquete, material impresso, sala de recepção, vídeo… cada tarefa é desenvolvida por um grupo ou um indivíduo da equipe, de acordo com a habilidade de cada um.
O organizador tem os objetivos e as diretrizes do trabalho: neste cenário imaginário, fazer um estande, a fim de vender imóvel para classe média; o orçamento é baixo, e parte dos custos devem ser bancados por eventos paralelos, como um sorteio de um veiculo usado, doado.

Durante a criação dos conteúdos pequenas apresentações são feitas e o organizador define o que deve ou não ser mudado ou acrescentado nas criações dos sub-grupos.

Essa estratégia de “criação coletiva” poupa o organizador de criar o conteúdo, deixando-o livre para dirigir a criação e ao mesmo tempo cria comprometimento e envolvimento dos participantes.

Um lado a se criticar do processo é que mudanças podem ocorrer a qualquer momento (até minutos antes da entrega do trabalho), o que pode gerar estresse e a eventual falta de participação de todos os envolvidos, em algum momento.
Um lado a se valorizar é a qualidade final, tanto pela quantidade de conteúdo gerado pelo grupo quanto pela qualidade de elaboração das partes desenvolvidas, por cada membro da equipe. Um trabalho em grupo acaba passando pelo olhar crítico de todos os envolvidos, o que reduz a possibilidade de equívocos que uma única pessoa poderia incorrer.
Enfim, é um processo com resultados – no conteúdo e na forma – distintos de um trabalho coletivo dirigido por somente um organizador, ou quando o trabalho é individual.

O segundo projeto coletivo que participo é mais tradicional, mas com resultados interessantes: ocorre quando o organizador do trabalho já definiu o conteúdo e a forma, e solicita ao grupo a execução dos conteúdos. Aqui, o grupo é um mero executor do projeto do organizador, mas há a possibilidade de colaboração de terceiros, vindos de fora do grupo, que acrescentam idéias a partir de suas expertises.

Ainda no exemplo do projeto de um estande imobiliário, a “colaboração externa” pode ser através de um grupo de atores no local, realizando uma encenação ao vivo, personificando uma família – futuros moradores do imóvel – desfrutando de uma piscina imaginária; isso pode ser uma forma de atrair atenção e desejo de interessados no imóvel, ou no sorteio do automóvel que irá financiar os custos do estande.

O ponto crítico desse processo é que não há criação dos participantes, apenas talento a ser apresentado para resolver as tarefas exigidas.
O lado positivo é que os objetivos aqui são bem claros desde o início, o que gera credibilidade do organizador ao dirigir a equipe e tranqüilidade no grupo ao gerar os resultados.

O importante enfatizar aqui é o fato de que em ambos os casos as novas idéias – de dentro ou de fora do grupo – são fundamentais para que se crie massa crítica e conteúdo inovador no projeto desenvolvido. A definição do formato do trabalho – criação coletiva ou individual; desenvolvimento criativo ou execução dirigida – vai depender da personalidade do(a) líder-organizador(a) que pode ser mais democrática e emotiva ou mais centralizadora e focada nos detalhes. O tipo de projeto também vai definir a estratégia utilizada: o projeto a ser desenvolvido pode ter um perfil mais criativo e informal ou mais calcado na boa execução. O fundamental , em qualquer caso, é ter os objetivos bem definidos, mesmo que estes objetivos mudem ao longo do caminho (como no caso dos projetos criativos).

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