Arquivo para abril \18\UTC 2012

Manual de revenda em webdesign

Resumo: Este texto procura  dar dicas a profissionais de design sobre como vender adequadamente serviços terceirizados de internet (webdesign).


http://gartic.uol.com.br/desenhos/escravos-de-jo

Revenda de serviços na área de internet existe de várias maneiras. Há a revenda de espaço de hospedagem de sites, por exemplo: o provedor de hospedagem vende um grande espaço em disco para profissionais e empresas que revendem esse espaço subdividido em discos/pastas menores, para seus clientes finais. Todos ganham: o provedor de hospedagem vende no atacado e o contratante ganha no varejo.
Há os profissionais de design que terceirizam outras áreas (internet, p.ex.) como qualquer agência. O profissional de design ganha em oferecer gama de serviços – entre eles serviços de internet – e o webdesigner contratado ganha na quantidade de serviços que recebe. Onde quero chegar é aqui.

Com citei em outro texto, sobre o Adobe Muse, webdesign e midia impressa (design gráfico) são semelhantes no conceito, mas não guardam muitas semelhanças. Ambos lidam com informação visual e diagramação, mas no caso do webdesign essa informação pode ser ouvida (deficientes visuais que acessam sites/sitios com leitores de tela) ou interagida (no caso de sites com conteúdo dinâmico – blogs, por exemplo). O briefing para vender um livreto provavelmente não será igual para vender um hotsite (site/sítio sazonal ou pequeno sítio dentro de um sítio maior). Assim sendo, resolvi fazer um pequeno manual para quem deseja terceirizar ou revender serviços de internet (webdesign). Motivo: já fui contactado para boas propostas de trabalho (do ponto de vista financeiro ou de portfólio) que não se efetivaram, entre outras razões, por falta de certas informações:

1) Faça o briefing correto. Costumo classificar o briefing como técnico, criativo ou executivo (ou um misto dos três). Posto um pequeno exemplo aqui que peguei emprestado da antiga revista Webdesign da Arteccom.
É importante fazer a sabatina completa e ser psicólogo, pois, antecipar as necessidades do cliente facilita a vida dele e se traduz em trabalho para você.
Um exemplo de como as perguntas certas podem fazer a diferença: um cliente contratou por conta própria um serviço de internet e apenas “desejava” uma funcionalidade nele. Logo após me contratou e pediu para colocar a funcionalidade desejada, mas eu descobri que não podia ser, no serviço contratado. Tempos depois descobri a solução em outra empresa, mas o cliente já não desejava migrar, pois já tinha organizado todo o seu trabalho na empresa atual.

Se eu fosse chamado desde o início e não fizesse todas as perguntas na hora certa, a necessidade iria passar em branco, e ainda seria acusado de indicar um serviço ruim (!). Se eu fizesse as perguntas certas desde o início, iria filtrar esse desejo do cliente.
Pensar nas necessidades antes de contratar serviços é semelhante a pensar na gráfica certa, antes de diagramar o trabalho.

2) Solicite de dois a três orçamentos com custos diferentes ao terceirizado, para que o cliente final possa ter opções dentro do sua verba. Mas isso depende de que você:

3) Evite orçamentos “para o mesmo dia”. Se o orçamento depender de terceiros, coloque pelo menos 2 dias para o terceirizado poder tirar dúvidas ou fazer levantamentos. Um bom orçamento normalmente será mais barato e preciso do que um orçamento feito às pressas. Por isso:

4) Leve o terceirizado para conversar com o cliente final, se puder. Se não puder, peça um modelo de briefing completo para o terceirizado. Como citei no tópico anterior, um boas perguntas podem ser a diferença entre um orçamento impreciso e caro que será recusado e outro, preciso, e aprovado com preço justo.

5) Faça as conversas fluírem entre as partes interessadas. Um exemplo: se você tem dúvidas sobre o que o cliente deseja, não consegue extrair a informação por desconhecer a atividade terceirizada ou não sabe se é possível entregar o que lhe pedem, não queira “fazer surpresa” ou superestimar seus conhecimentos na matéria. Os dois tópicos anteriores são sugestões para ganhar tempo nestes casos. Assim sendo,

6) Seja humilde. Faça um curso sobre o serviço terceirizado, assista palestras ou solicite informações ao terceirizado sobre como as coisas funcionam nesse metièr.
Uma forma de ser humilde é pedir opinião para quem vai fazer o site, de fato,  antes de apresentar o layout ao cliente. Você pode até ficar decepcionado(a) de saber que aquela linda página de abertura é um obstáculo para que o site de seu cliente seja localizado pelo Google, mas certamente vai achar uma alternativa tão bonita o quanto.
O personagem Dilbert das tirinhas de quadrinhos diz que “todos somos ignorantes em áreas diferentes”. Ninguém sabe tudo sobre informática, nem Bill Gates.
Ok, design é projeto, muitos administradores gerenciam projetos fora de sua área de formação, mas todos bons administradores sabem lidar com pessoas (essa frase não é minha, é de Jack Welsh, ex-presidente da GE) para fazer a coisa certa.
Outro motivo é que as coisas mudam muito depressa: se você acha e-mail marketing (mala direta digital) o máximo em publicidade com custos baixos ainda não ouviu falar em marketing de mídia social. Tenho um cliente que faz uso intensivo disso para divulgar e fomentar seus produtos e serviços, com excelentes resultados.

Enfim, essas recomendações são úteis quando trocamos de lado do balcão, e passamos a  ser clientes dos profissionais contratados.

Anúncios